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VEILING HOLAMBRA, AMEAÇAS E OPORTUNIDADES

VEILING HOLAMBRA – AMEACAS E OPORTUNIDADES

O release de final de ano do Veiling Holambra da conta de diversos resultados positivos obtidos em 2017:

  • Crescimento das vendas anuais em 15%
  • Lucro operacional, que deve possibilitar a redução da taxa de serviços aos associados
  • Crescimento da plataforma Veiling on Line (70% em 2017)
  • Bons resultados com a estratégia de flores de corte em supermercados

Para um ano onde a economia esteve muito apática esses resultados são realmente alentadores.

Como sempre podemos melhorar e como é muito importante ver o cenário sobre um olhar diferente, tomo a liberdade de desenhar algumas grandes ameaças que também se fortaleceram em 2017 e que devem se tornar em ameaças reais para o sistema até 2019:

  1. Crescimento da participação dos supermercados no total de vendas do Veiling – visitei na década de 90 Cooperativas de flores na Dinamarca, que haviam tido o sistema Veiling, e que com o crescimento da venda para supermercados, caminharam naturalmente para o sistema de intermediação. Isso fomenta a venda para supermercados, porém, prejudica a formação de preços no leilão, o que no médio prazo, mata o leilão. Uma vez que o leilão tenha dificuldades, e com a representatividade dos supermercados no total de compras, são eles que passam a fixar os preços, e aí a cooperativa se ve em um beco sem saída.
  2. Redução do número de floriculturas – estatísticas do instituto de pesquisa “Augusto AKI” (ou seja, apenas um feeling) dão conta que as lojas vem fechando as portas na velocidade de 10% aa. Muitas se transformam em decoradores informais. Outros tantos em jardineiros. A queda de compras das floriculturas afeta os atacadistas. Eles passam a ter lojas próprias locais, para venda aos consumidores finais e para venda aos prestadores de serviços informais. Isso fortalece o canal de distribuição. Novamente temos o favorecimento da intermediação, queda de formação de preço no leilão e ainda forte impacto no setor de flores de corte. Isso pode afastar cooperados.
  3. O surgimento da CEAFLOR em 2019, se apresentada com a organização que prenuncia, poderá afetar em diversas maneiras o sistema Veiling. A venda de flores em vaso, um canal natural para o novo centro e a venda direta para s floriculturas da região, podem tanto ser uma nova opção para os supermercados (desde que a CESAFLOR tenha uma boa área de intermediação) quanto ser um enorme problema para a Granflora. Há rumos que essa área do Veiling não atingiu ainda os resultados esperados, tem sido um centro de custos, e com a Ceaflor isso pode piorar. Na trilha dos supermercados, o ponto fraco são os comissionarios, alvo de fácil alcance pela Ceaflor, que também pode usar a mesma como ferramenta de pressão no Veiling (para reduzir preços)
  4. O setor de flores de corte não tem tido bons anos. A melhora de venda nos supermercados é um alento, porem tem limite. Ela atua na proposta de consumo próprio (não atinge nem o mercado de presentes e nem a decoração). Na venda de flores de corte para supermercados a disputa já tem um enorme concorrente – a Cooperflora. Para o futuro isso deve ser agravado pelos importadores, que já estão estabelecidos no Brasil, que com ações mais agressivas, atacaram o setor de decoração. A própria Cooperflora também deve atuar de forma mais agressiva nessa frente. Isso colocara em duvida a viabilidade do Veiling para os associados de flores de corte, o que pode ser uma frente de instabilidade.
  5. Há anos o Veiling tenta uma estratégia mais forte para o setor de paisagismo. A Granflora é um exemplo. Deve haver um crescimento do segmento de Garden centers para os próximos anos (tanto de atacadistas quanto de paisagistas e de investidores independentes). Novamente Ceaflor e o CNP se apresentam como fortes ameaças aqui, o poder de compra dos compradores desse segmento pode levar a canibalização entre as 3 centrais.
  6. O Centro de Negócios do Produtor precisara tomar iniciativas, para lidar com a chegada da CEAFLOR. Alem da frente dos importadores x flores de corte e da parte de paisagismo x Garden center, é possível que também venha disputar as floriculturas da região com mais afinco, dado que tem lojas de acessórios que não estarão nos dois locais (escolherão um deles). Isso deve levar a algum plano de fidelização de clientes e premiação sobre compras. Essa guerra entre CNP e Ceaflor afetara de vez a Granflora…

É obvio que esse exercício é somente uma reflexão. Também e esperado que ações já estejam sendo concretamente pensadas em cada uma dessas empresas. Mas assim como nas guerras não lineares, o que o futuro próximo nos reserva nunca foi antes vivenciado e representara uma disruptura na forma de competição na cadeia de flores.

 

Augusto Aki

www.negocioscomflores.com.br

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Comentários

  1. EDUARDO CARLOS D AMATO26/02/2018

    Olá Augusto, estava lendo alguns artigos e este me chamou a atenção. Não tenho capacidade de investimento, mas gostaria de empreender. Pensei em duas possibilidades: atuar como distribuidor intermediário entre o Ceagesp e o setor institucional corporativo (porque em qualquer trabalho criativo sempre tem alguém que desvaloriza e acha que sabe fazer – como no caso de decoração); ou atuar como feirante (uma vez que a estratégia em supermercados está dando certo, também a feira livre é um lugar de consumo familiar semanal). O que acha?

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    • augusto aki27/02/2018

      Eduardo as duas opcoes tem potencial. A primeira e chamada assinatura de flores e a segunda pode ser vista num post que coloquei a algum tempo aqui, sobre a feira de flores em BH que e justamente como voce descreve. Como tudo mais na vida, voce precisara:
      -organizar o processo
      -ter uma proposta de valor (preco ou alum diferencial de servico)
      -determinacao
      -avaliacao constante e planejamento

      Isso eh empreender, tem suas dores mas tambem suas compensacoes
      Sucesso
      Augusto

      Responder

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