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A Teoria da Extinção

Como as floriculturas podem recuperar vendas num contexto de concorrência predatória.

A Extinção das floriculturas

Recentemente lancei mais um produto, O Boletim do Florista, como você já sabe. O objetivo desse boletim é levar informações e provocar a discussão de temas importantes para o mercado, a partir do ponto de vista de um público alvo especifico: o florista.

Para receber O Boletim do Florista o interessado deve preencher uma ficha de cadastro, que é também uma ficha de pesquisa. Alguns dados interessantes são perguntados:

a)Quais seus principais problemas atuais?

b)Qual o consumo de flores da loja?

c)Quantas lojas existem na cidade?

d)Como avalia seu fornecedor?

Fora essas respostas, o processo de cadastramento acabou detonando um processo nacional de “manifestação”. São telefonemas, cartas e email que passei a receber de floristas de todo o país, variando sempre sobre o mesmo tema: O varejo de flores no Brasil está morrendo. Os floristas estão estressados, desmotivados e vêem poucas perspectivas para o futuro.

A globalização afetou nossas vidas, trouxe problemas para todos e esta cada vez mais mostrando que as responsabilidades foram “estendidas”. O fornecedor não melhora seu negócio se não melhorar o negócio do seu cliente (o florista). Ao contrário, quando o fornecedor busca soluções a força, através de atalhos e atropelando quem está na frente só gera reação contrária (inadimplência, cotações de centavos e infidelidade dos floristas no caso de flores, e, atentados terroristas no caso dos EUA).

Os principais problemas apontados pelos floristas nas fichas de cadastramento são:

a)Vendas baixas/dificuldade de diferenciação

b)Administração financeira

c)Funcionários

Na parte da administração financeira e gestão de funcionários a assistência à loja é uma oportunidade de diferenciação para o fornecedor (e de amarração). Além disso, qualquer ganho nesses campos certamente se traduzirá em vendas melhores e maior liquidez para o próprio fornecedor.

Na parte das vendas baixas/dificuldades de diferenciação a qualidade empreendedora do florista deve ser o caminho. Afinal, de onde deveria vir a inspiração de um florista para um novo negócio ou um novo produto? Se puder retorne essa questão colocando sua opinião. Juntando nossas opiniões podemos de repente descobrir o caminho para o grande desafio das lojas.

Daquilo que sei, isso deve passar por:

a)Compreender as necessidades dos clientes (como se faz isso)?

b)Conhecer os benefícios das novas tecnologias (e como realmente se beneficiar delas)

c)Identificar consumidores potenciais (para fazer vendas e não simplesmente retirar pedidos)

Da forma que vejo, o florista está suficientemente informado sobre os produtos disponíveis, a metodologia de compras e o controle de custos da loja. Contudo não desenvolveu a capacidade de construir suas grandes estratégias de curto prazo. Da forma que está, é uma perfeita corrida para a extinção.

Nesse momento vale resumir alguns pontos do livro “Marketing Titânico” que analisou o fracasso das grandes redes de varejo depois da Era Real:

  • As dificuldades encontradas pelas principais redes de varejo no Brasil (Mappim, Mesbla, G Aronson, Arapuá, etc) foram sempre financeiras, porém causadas por fracassos de estratégias de marketing.

 

  • Todas as empresas de varejo que sucumbiram foram consideradas lideres ou muito bem sucedidas no setor onde atuavam. A mudança nas variáveis incontroláveis fez com que muitos administradores encontrassem problemas em ajustar suas ofertas e estratégias.

     

  • ...muitos dos problemas foram semelhantes: compras baseadas na euforia e expectativa exagerada de vendas. O mesmo parece ter ocorrido em todos os setores analisados (isso não lembra um pouco o que vive o produtor de flores?)

 

  • ...Mas também em outros ramos da atividade, que fez com que a administração perdesse o foco e o controle das operações. O problema da Sharp teve origem semelhante, pois, de acordo com o case, tudo indica que a empresa não alterou em tempo hábil suas práticas operacionais e gerenciais no sentido de fazer frente a nova realidade. (isso não lembra a situação dos atacadistas?)

 

  • ...O Diretor do Ponto Frio conclui: nós preparamos quando as coisas não iam bem. Agora, estamos prontos para enfrentar o mercado. O erro das grandes redes foi tentar cobrir a queda nas vendas com endividamento. (Isso não é cara das floriculturas?)

 

  • ...quando a empresa encontra dificuldades financeiras e os funcionários desmotivam-se, as chances de a empresa afundar aumentam. No caso do naufrágio do Titanic, quando o navio começou a afundar, a maior parte da tripulação começou a agir individualmente, desconsiderando o grupo, numa espécie de filosofia “salve-se quem puder”. (Isso não é a cara do nosso mercado hoje?)

 

  • ...as empresas, como se percebe pela analise dos cases, perderam sintonia com o mercado. Por isso deixaram de fazer ofertas adequadas e de forma rentável. Algumas demoraram muito a se adaptar e, por isso, sucumbiram. Algumas empresas não se prepararam para enfrentar a concorrência ou para satisfazer as exigências do mercado no planejamento pró-ativo, enquanto que outras não se adaptaram quando as variáveis ambientais mudam, não tendo portanto, planejamento reativo.


Se empresas do porte do Mappim, Mesbla, Arapuá, G.Aronson não resistiram a erros de planejamento e administração e faliram, será que nossas pequenas floriculturas não estariam no mesmo caminho?

Seria muito radical pensar na “extinção das floriculturas”? Talvez isso não seja possível e esteja dramatizado demais... (e talvez seja mais fácil algum grupo muito louco seqüestrar 4 boings comerciais americanos ao mesmo tempo e fazer ataques suicidas aos principais ícones daquele pais, causando milhares de mortos e deixando o mundo boquiaberto – você também não acha que isso vai acontecer na vida real, não é?).

A competição acabou!!

Viva, viva. E você que estava pensando que sua vida era um inferno...

Pêra ai, como é que é essa estória?

Eu explico. Em qualquer mercado, a situação de concorrência varia conforme o volume de oferta. Quanto maior a oferta, maior a concorrência. Contudo, existe um momento em que a oferta é tão grande que a concorrência deixa de ser item de analise.

O que quero dizer é que acima de um determinado nível de concorrência, como o que estamos vendo em várias cidades, o mercado não depende mais da concorrência, pois:

  • Ela está pulverizada demais e assim não é possível estabelecer contra quem estamos lutando.

 

  • O preço é tão comum como arma comercial que simplesmente não se precisa mais conhecer seus concorrentes, pois você já sabe que nesse mesmo instante existe alguém mais barato que você.

Essa situação de “caos” é causada pelo excesso de oferta. Esse cenário é caracterizado pela entrada do fornecedor na venda direta ao consumidor (ou seja, o fornecedor coloca a pedra final, tornando-se o mais novo concorrente das lojas).

Em geral, isso leva a “extinção”.

Depois da extinção a vida volta a brotar, e o mercado ressurge. Analisando os casos de outros mercados, o “espécime” sobrevivente tem como características básicas uma das 2 estratégias abaixo:

1. Tiveram capital de giro próprio suficiente (patrimônio particular para queimar) para atravessar a fase de extinção e resistiram ao “apocalipse”. Além disso, formataram seu negócio de forma eficiente em termos de custos (compras, logística, parte operacional) para estar sempre na faixa mais competitiva do mercado.

Na pratica, significa que você deve ter uma eficiência que permita fazer com que sua loja possa concorrer com o próprio produtor que se aventurou ao varejo(ele tem o produto mais barato, porém você tem uma eficiência operacional maior que ele). Esse é o seu caso?


2. Descobriram “nichos de mercado” de difícil atendimento, pelo custo da operação ou pela necessidade de competências de alto nível, de forma que simplesmente impossibilitaram a entrada de outros concorrentes.

Alguns exemplos:

Você desenvolveu um sistema de logística na cidade de SP que garante a entrega das flores em 2 horas em qualquer ponto da cidade (com trânsito e tudo).
Você transmite via internet um vídeo mostrando uma declaração de quem recebeu as flores.
Você se especializou em entregas especiais (a noite, no restaurante onde vai ser o encontro ou de manhã quando ela acorda, etc).

É importante lembrar que esses nichos devem ser de difícil atendimento, pois se for fácil satisfaze-los, certamente terá concorrentes em breve. Aquilo que você faz hoje é algo que é fácil copiar? E aquela idéia secreta que você tem na manga e colocaria em prática se tivesse dinheiro, é de difícil execução?

Na era da extinção não importa mais a concorrência. Serão bem sucedidos somente aqueles que conseguirem utilizar habilidades especiais para as quais os consumidores estiverem dispostos a pagar um valor a mais.

É importante lembrar que:


O enfoque empreendedor de cada empresário é que diferenciará aqueles que melhor definirão essas oportunidades (não existem receitas prontas)

Existem oportunidades a serem exploradas para agregar valor a venda de flores, mesmo com o excesso de oferta, com a depreciação do produto e com a incrível safra de noticias negativas que tem assolado nosso frágil consumo.

“Mesmo com a chegada de um novo milênio e com as rápidas mudanças que vem ocorrendo no mundo, o ser humano continua preservando uma de suas mais belas características: a satisfação de emocionar e ser emocionado. Para isso não existe nada melhor que a flor, que torna qualquer momento de nossas vidas especial e inesquecível. Cada vez mais presente em nosso cotidiano, as flores revelam que esta nova era será marcada pela busca do ser humano por suas essências. Então, aproveite este momento mágico de integração e valorização dos sentimentos, para resgatar a nobreza de emocionar! - Ricardo Grobman – Flower Gallery”

ELETROCARDIOGRAMA DO VAREJO

A queda de margens com o aumento da concorrência é um conceito de conhecimento geral. As margens das lojas vieram seguindo esse gráfico no período de 1994 até 1998.

Entre 1998 e 2001 chegamos ao estágio de concorrência predatória para a grande maioria das lojas (venda baixa/lucro insuficiente ou venda alta/margem insuficiente). Com raras exceções, a maior parte das lojas se encaixa nesse quadrante

As características básicas da fase predatória são:

Relação de Gerson com os fornecedores (nos 2 sentidos)

Estresse e desmotivação

Lojas começam a fechar

Não há renda para investimento

Sobrevive quem tem maior patrimônio pessoal

Entram no mercado pessoas de fora do mercado com idéias inovadoras

Tudo que é novo é visto com ceticismo por quem já está no mercado


Então não existem mais esperanças?

É claro que existem. O caminho não é fácil (fácil somente é escrever sobre o assunto...)

Durante anos, os perfumes e os CDs foram apontados como principais concorrentes das flores. Agora essa discussão acabou, pois eles tomaram nosso mercado!

O percentual de vendas de flores para presentes de aniversário despencou nas floriculturas e para entender esse processo é muito útil analisar o “Case Boticário” e aprender com ele:

As floriculturas e as perfumarias são lojas de presentes.

A globalização criou o conceito de presente barato e compra conveniente.

Cada vez mais as pessoas buscam soluções práticas e de valor para seu consumo de presentes de aniversário.

O Boticário entendeu essa mudança e aplicou a nova demanda à suas lojas:

Estão localizadas nos shoppings

Passaram a ser de auto serviço (o balcão recuou)

Criaram produtos específicos para ocasiões especificas (deixaram soluções que facilitam a decisão de compra do consumidor).

Criaram embalagens que facilitam o transporte do produto e diminuem o tempo de espera do cliente

Reformaram as lojas para estimular a compra por impulso e a atração de fluxo

Não queimaram preço, investindo em diferenciação, marketing e lançamentos constantes para manter valor (atuam em kits de R$40,00 a 60,00)


Comparando esses 2 cenários,
podemos identificar onde as flores estão falhando e deixando espaço para a queda de vendas para aniversários (seu tradicional filão de vendas para presentes):

O produto está depreciado (as flores que são vendidas nas floriculturas também podem ser encontradas no marreteiro da esquina).

As floriculturas não estão nos shoppings e nem tem venda por telemarketing ativa (e portanto não estão na mente dos consumidores).

As floriculturas não tem embalagens adequadas para o consumidor comprar seu bouquet ou arranjo e sair por ai.

As floriculturas não tem ofertas bem definidas para datas especificas (infelizmente ainda vale o chavão: “as flores são uma boa idéia para qualquer momento” – isso é bonito, mas precisa ser mais comercial – “arranjo de violetas para sagitarianos” ).

Nossas lojas são escuras e com lay out amador.

Um sinal que confirma essa analise é o crescimento da participação das rosas no mix geral de compras do florista: a rosa é um dos poucos produtos com ocasião definida (paixão). Nem o florista precisa explicar e nem o consumidor precisa perguntar. Já está estabelecido.

Nenhum varejo sobrevive sem indução e a estratégia de “ocasiões” é o caminho para flores.

Quais são os caminhos para implementar a estratégia de “ocasiões”?

Vamos recuperar alguns pontos apresentados nas paginas anteriores:

Estamos na fase da concorrência predatória, que fechará a maior parte das lojas e que irá favorecer quem tiver sucesso em cobrar sobre preços. Isso significa ignorar a concorrência e focar a atenção em nichos de mercado.


A estratégia de “ocasiões” foi usada com sucesso pelo segmento de perfumes, como no Boticário, que se estruturou na remodelação das lojas, lançamento de produtos, defesa de preços e ofertas bem definidas.


Que o varejo vive da indução de vendas e que ter um produto que serve para qualquer ocasião é genérico demais para a dura luta de mercado que vivemos hoje.

Considerações sobre a indução de vendas:

As pessoas não querem a melhor opção de presente. Elas querem uma opção que atenda a padrões mínimos que estão em suas mentes (custo, impacto, exclusividade).


As pessoas não querem pensar. Elas querem que o varejo ajude sua decisão apresentando soluções adequadas que tenham credibilidade (recomendações da loja, mais vendidos, ofertas, novidades, sugestões)


As principais datas para aplicar a indução em vendas para flores são:

Aniversários (flor x data de aniversário)

Uso próprio (flor x simbologia)

Datas de pico (flor x simbologia)

Presentes de simpatia (flor x misticismo)

Decoração ( flor x personnal style)

As flores participam na mente do consumidor como uma opção de presente “lúdica” e não concreta. Se a loja não entender isso e fizer produtos que estejam sujeitos a comparações “concretas” ela não terá chances contra a argumentação do consumidor.

Fases para implementar a estratégia de venda por ocasiões:

Constituir um banco de dados sobre a simbologia das flores, ligando imagens pré-concebidas com perfis de consumo (pesquisa em cromoterapia, horóscopo, design, misticismo, sincretismo, etc). Faça sua interpretação do mundo (tábua de simbologia) .


Constituir um banco de dados informatizado com características de data de aniversário, preferências de cor, crenças, etc. As pessoas podem ser motivadas a dar essas informações se forem “pagas” por isso – use as promoções como ferramenta. O importante não é saber tudo sobre todos e sim estabelecer padrões que possam ser multiplicados: as pessoas de escorpião gostam mais da cor azul. As mulheres casadas são mais supersticiosas que as solteiras, etc.


Ter um recurso de informática eficiente que permita listar as pessoas com as múltiplas combinações desejadas (por idade, estado civil, sexo, renda, etc). Um banco de dados em Acess por resolver isso- é só contratar alguém por perto.


Desenvolver produtos utilizando os conceitos de ocasião: “ Para os aniversariantes de outubro nossas sugestões são a cesta xyz, o arranjo zzz ou ainda o bouquet de lisianthus pois eles utilizam flores que trazem sorte e bons presságios para os nascidos nesse período...”


Desenvolva embalagens práticas para quem quiser comprar o produto na própria loja.


Crie um slogan para sua loja e remodele seu logotipo. Invista em publicidade (dentro de suas possibilidades) para reforçar sua marca. Por falar nisso, depois que a pessoa entra na loja, onde é possível ver a sua marca?


Organize a loja por ocasiões: sugestões para aniversariantes do mês, sugestões de arranjos para simpatia e agradecimento, sugestões para uso próprio, etc.


Busque acessórios exclusivos para agregar valor a seus arranjos. Os acessórios acabam dando muito mais lucratividade que as próprias flores.


Organize sua oficina para melhorar a estocagem e manuseio das flores.


Trabalhe com produtos de qualidade.


Faça promoções de fluxo, aquelas destinadas a trazer pessoas a loja (as vendas são uma conseqüência).
Exemplo: "quem vier a loja nessa semana, vota em um dos arranjos em exposição e concorre a recebe-lo no final de semana".


Utilize sempre chamadas “lúdicas” na apresentação de seus produtos. Lembre-se, você não pertence ao mundo concreto.


A cada lançamento faça uma primeira apresentação a seus funcionários. Se não convencer a eles, certamente não convencerá aos consumidores.


Cuide da logística do produto e da informação dentro da loja. Somente o controle possibilita a você melhorar suas decisões.


Atente para as atualizações a serem acrescentadas a sua “tábua de simbologias”. O consumidor, os funcionários e o seu dia a dia serão excelentes alimentadores desse processo (e essa tábua é que permitirá definir ofertas novas para seus clientes).

Caros amigos, como disse ao longo do texto, a concorrência acabou. Acabou porque o excesso de oferta levou a multiplicação dos concorrentes e a depreciação dos produtos. Daqui para frente somente vencerá quem conseguir cobrar um preço diferenciado para aquilo que vende. Só o lucro salva.

Foco no cliente é a saída contra a extinção. Se a oferta for direcionada com exatidão (lúdico, simbologia, sugestão) você consegue o sobre preço, senão você quebra. Recuperar as vendas para aniversários pode ser um desafio inicial interessante.

Quem estiver ou visitar S.Paulo precisa visitar uma das lojas da Marca Imaginarium ou da loja Bons Fluidos para entender na pratica o que esse conceito significa. Também pode começar visitando uma das lojas do Boticário mais próximas.

No mundo dos presentes vence quem sabe entender as mitologias do consumidor e facilitar sua decisão, com a localização da loja e com seu telemarketing, com o tipo de produto oferecido, com o treinamento dos funcionários e com a melhoria constante.

 

 

Mais informações: Augusto AKi - (0xx19) 3902-4249 -  9127-9660 - augustoaki@dglnet.com.br

 

 

 

Augusto AKi - Consultoria Especializada em Marketing para flores e Plantas Ornamentais
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