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ESSENCIALISMO

Em uma época de excesso de informações, restrição de tempo e grande geração de ansiedade era de se esperar que em algum momento alguma reflexão sobre nosso modo de tocar a vida fosse feita.

Essa semana cruzei com um livro que trata de forma excelente desse assunto e resolvi separar alguns trechos para te aguçar e provocar a leitura. O livro se chama “Essencialismo”- Greg Mckeown – Editora Sextante.

O livro se baseia na ideia de que somos dominados pelo excesso de informações e perdemos nossa capacidade de priorizar. Ate aí, nenhuma novidade. Mas faz uma grande contribuição quando propõe um método para escapar dessa armadilha. Basicamente são apontados os seguintes erros para perdemos nossa capacidade de dar foco:

• Quando não há uma escolha pessoal sobre seu tempo e você deixa que outros a definam para você
• Quando nos distraímos demasiadamente com os ruídos – o dia a dia é repleto de coisas que requerem nossa atenção e se não sabemos ter um critério de seleção de importância, não conseguimos dar foco no dia
• Queremos sempre ganhar – do ponto de vista estratégico a gana da competitividade nos leva a buscar sempre a vitória e as vezes, enxergando o cenário maior, podemos perceber que economizando energia em algumas frentes (e sofrendo derrotas), podemos alcançar resultados mais importantes ao final

Para lidar com esses problemas o autor propor uma linha bem racional, mas que somente com equilíbrio emocional você conseguira fazer:
1. Saber identificar claramente as trivialidades do dia a dia daquilo que é vital. Para isso sua semana deveria estar previamente programada. E logico que temos que ter algum jogo de cintura, pois imprevistos acontecem, porém, em 80% dos casos eles são demasiadamente supervalorizados. Monte uma agenda (e crie um formulário de decisão), composto do seguinte desenho: qual a coisa certa a fazer a respeito? Qual a razão certa para fazer isso? Qual o melhor momento de realizar essa resposta?

2. Executar as coisas ate o fim. Um dos maiores obstáculos para nossa improdutividade é a descontinuidade. Novamente vale a ressalva sobre os imprevistos e as dependências, mas ter um trajeto em mente e tentar se manter nele, via de regra, se mostra possível, viável e útil.

3. Aceite que a vida é feita de escolhas e no seu dia a dia elas terão que ser feitas. Para isso fazemos a programação da semana e com isso decidiremos sobre os imprevistos que aparecerem. Não conseguiremos fazer tudo, assim, temos que assumir as perdas e trabalhar para construir o melhor saldo final possível com nosso tempo. Nos casos onde esse saldo não está sendo suficiente, precisamos fazer uma reflexão maior e avaliar se estamos na direção certa.

4. Por mais controverso que possa parecer, em um dia a dia já tão turbulento, crie 15 minutos para reflexão, no início do dia. Isso vai melhorar seu raciocínio e sua forma de avaliar todo o restante. Isso não é uma perda de tempo e sim a base para você usar bem a técnica.

5. Para que seja possível que você se dedique ao que é essencial, também será necessário que as pessoas que estão envolvidas com o que tem que ser feito também procurem ter o mesmo comportamento. Tudo bem que as individualidades e os estilos são diferentes. Porem é preciso construir uma regra de convivência que assegure isso. A motivação e a cooperação se deterioram quando não há um proposito definido. Não é treinamento e competência que cria sinergia e produtividade e sim o compartilhamento de objetivos bem definidos. Quando a outra parte não tem claro sua meta e seu papel há confusão, estresse e frustração. Por outro lado, quando o nível de clareza é alto as pessoas prosperam. A cada jornada responda por escrito e de maneira quantificável – QUAL NOSSO OBJETIVO?

6. Separe a tomada de decisões da esfera da gestão do relacionamento, com a outra parte. As vezes estamos tão interligados que deixamos de negar aquela solicitação especifica, imaginando que isso está demonstrando uma negativa pessoal contra o outro…

7. Ainda que tempo seja a moeda principal de tudo que falamos, nos momentos onde imperar o impasse, não descarte pedir opinião de uma pessoa neutra. Ideias novas e abordagens diferentes nos fazem enxergar fora do problema e a nos inspirar em como voltar ao que é essencial, superando a restrição que se apresenta.

8. Sempre tenha em mente os limites, quando está compartilhando uma atividade com outros. Ter em mente um objetivo claro, estar disposto a ser colaborativo e ter consenso sobre as armadilhas de ruídos a serem evitados é muito bom, mas não assumir problemas dos outros é importante, para que haja um real crescimento do conjunto.

9. A vida é feita de imprevistos. Isso, contudo não descarta a necessidade do planejamento. Muitas pessoas acreditam que podemos enfrentar as coisas com determinação e intuição, mas isso não é verdade. O planejamento e a estratégia salvam no longo prazo, ainda que pareçam um desgastante processo de perda de tempo. Ele deve deixar claro o objetivo, como vamos alcança-lo e como vamos monitora-lo. E recomendado também que dentro desse planejamento estejam previstas margens de segurança para os acontecimentos inesperados. Dessa combinação nascera o modelo perfeito de trabalho.

10. Procure entender as dificuldades em seus diversos níveis, para atacar o que realmente importa. Por vezes nos vemos dedicando esforço com paliativos, que atacam problemas, que, se eliminados, não resolvem a questão central. Assim, temos que discernir sobre qual o grande gargalo, em cada processo e se concentrar nele. Atuar forte no que tem mais impacto!
Finalmente, todos precisam de um processo de motivação para nos compensar dos esforços e da determinação a que nos propomos. Para que tudo mais funcione, divida a caminhada em pequenos trajetos e estabeleça momentos de comemoração. O essencialista sabe também administrar sua energia e o quanto é importante renova-la. Ele também quer contagiar aqueles com quem se relaciona a ter o mesmo espirito quanto a vida, e, para isso, nada melhor do que comemorar as pequenas vitorias!

Augusto Aki – Consultor de modelos de negocio

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